Há uma lenda popular que confunde Gueral com “Graal”. Diz a lenda que o nome de Gueral é devido ao facto de por nesta freguesia terem passado os Doze Apóstolos à procura de um cálice chamado “Grial” (que deve ser pronuncia popular de “Graal”).
Contudo é muito complexo apurar as origens desta terra, já que o seu nome dificilmente o permite.
Nas inquisições de 1220, no tempo de Afonso II, esta freguesia foi anexada à Comenda de Cristo e, provavelmente pertencia à Comenda dos Templários de Santa Eulália de Rio Covo, aparece designada por: De Santo Pelagio de Carvalial, junto à freguesia de Santa Leocádia. No entanto, é natural que esta Carvalial seja a mesma Gueral, até porque não se encontra outra freguesia em que Santa Eulália tenha mais terras do que nesta. Carvalial será, portanto, corrupção ou engano de cópia de Gueral.
No censo de 1527, (século XVI) a freguesia de “Generall”- que se julga ser Gueral- aparece com 27 moradores, mais uma vez deturpado, pelo que se supõe igualmente, de mais um erro já que, se suprimimos a segunda letra, a ultima e mudarmos o n para u, ficamos com o nome Gueral.
No século XVII, existiam apenas 34 moradores; no século XVIII o número aumentou para 52 vizinhos; no século XIX eram já 260 habitantes, e por um censo de população realizado mais tarde eram 376 moradores, sendo 162 homens e 214 mulheres, sabiam ler apenas 69 homens e 32 mulheres.
Em 1911 foram criadas duas escolas mas só começou a funcionar a do sexo masculino em 1913, não funcionando a do sexo masculino por falta de local.
Sabe-se que essa escola do sexo masculino estava situada onde é hoje o Jardim de Infância.
Chorente que, nas inquirições de 1220, tem o nome de De Santo Michaelis de Chorentis, das terras de Faria, foi reitoria alternada da apresentação do Papa e do Arcebispo de Braga e foi também Comenda de Cristo. Sabe-se que, para além desta ordem religiosas, várias outras tinham aqui terras, como a Comenda de Chavão, da ordem dos Hospitalários de S. João de Jerusalém ou de Malta. Sendo natural que o domínio eclesiástico fosse, nestas épocas, bem aceite por todos, Chorente revela, porém, ter sido, nesse âmbito, alvo de uma poderosa e talvez despótica influência. Conta-se por exemplo que, em 1647, já num século em que Chorente contava com uma centena de almas, Bento Lobo Faria, que era o seu pároco, revolveu, a dada altura, impor aos seus fiéis uma ordem bastante rígida. Este proibiu, sob multa de 100 reis, que as mulheres solteiras se sentassem na frente de homens casados e terá mesmo mandado colocar, à porta da igreja um homem que devia tomar nota daqueles que chegavam tarde à missa e que ficavam no Adro a conversar. Reza ainda a história que o seu sucessor, Teodoro da Silva Ribeiro, também não lhe ficou atrás. Este terá proibido, em 1669, as conversas no adro, antes e depois da missa e veja-se: proibiu os Homens, que se apresentassem de cabelo entrançado e atado, de entrar na igreja! Não há dúvida, até chegar à actualidade, Chorente e os seus florentinos tiveram que seguir regras bastantes rigorosas!
Góios tem por orago Santa Maria, sob a invocação de Nossa Senhora da Expectação ou do Ó, como vulgarmente é mais conhecida.
O culto e Nossa Senhora da Expectação, muito generalizado em Espanha e Portugal, vem do tempo dos godos; em 661, no concílio de Toledo, foi instituída a festa da Expectação do parto da Senhora. Sob a origem da palavra Senhora do Ó é interessante a leitura do livro «Monumentos e Esculturas», do Dr. Vergílio Correia.
A igreja costumava e costuma ainda cantar nos sete dias que precedem o Natal, umas antífonas, que todas principiam pela letra Ó, dizendo clero e todo o povo a gritos Ó, Ó, Ó.
Destes Ó, Ó teve o principio intitular-se esta festa do Ó e também dar-se este título à mesma Senhora em suas imagens.
A algumas virgens pejadas se refere o «Santuário Mariano»; muitas desapareceram ou foram mandadas enterrar por abades escrupulosos ou ignorantes e poucas são as que chegaram aos nossos dias, guardadas religiosamente em museus.
Nesta parte do concelho que estamos percorrendo difundiu-se muito o culto a esta Senhora; haja em vista as freguesias que tomaram por padroeira.
Nada menos de três: esta de Góios, a de Martim e a de Moure.
Góios era vigararia da apresentação do Reitor do Convento de São João Evangelista de Vilar de Frades, Bons Homens de Vilar, este 1481, ano em que o seu abade Diogo Anes e renunciou, com aprovação do arcebispo de Braga D. Luís Pires, naquele convento e nele se meteu frade.
Góios deriva do b, latim Gáudios, em vez de gandia, os gozos ou prazeres de Nossa Senhora e tanto que se diz Santa Maria de Góios.
Nas Inquirições de D. Afonso II de 1220 vem com a designação - «De Sancta Maria de Gouvios», nas terras de Faria, e nelas se diz que o rei não tem aqui reguengo algum.
Esta freguesia passou a ser solar da linguagem dos Góios, família distinta, depois que no tempo de D. Dinis se extinguiu o apelido de Molnes, que eram os primitivos senhores da Honra que aqui existiu.
Houve na aldeia de Carcavelos, o tempo de D. Sancho II, um Paço honrado em que viveu Estêvão Pires de Molnes, déspota muito cioso das suas prerrogativas.
Se esse paço era honra, ele quis estendê-la a toda a freguesia e impedir que nela entrasse as justiças de el-rei.
Assim, porque um tal Martim Vermui viesse penhorar ao Paço um lavrador, que nele morava, Estêvão Pires mandou-o prender e arrastar em volta da freguesia, dizendo-lhe a cada passo: «Por aqui é Honra» e no fim enforcou-o.
Voltando lá a penhorar um Domingos Alcaide fez-lhe também justiça sumária: cortou-lhe as mãos e matou-o.
Estas e talvez outras violências deram em resultado ser devassada esta freguesia e extinto o apelido de Molnes, no tempo de D. Dinis, ficando apenas honrado o Paço enquanto fosse fidalgo.
Esta freguesia, pertencente ao Concelho de Barcelos sita na encosta nascente do Monte de Courel, prolongamento do da Franqueira, na bacia orográfica do Este, confronta pelo sul com a de Macieira de Rates, pelo nascente com a de Gueral e a de Pedra Furada, pelo norte com a de Vilar de Figos e pelo poente com a de Rates esta do concelho da Povoa de Varzim.
É banhada pelo regato que nasce na fonte de Badalhão, afluente do rio Codade, e é servida pela estrada municipal que parte da estrada também municipal de Barcelos às Fontainhas em Santa Leocádia e vai até aos limites de Rates, com uma ramificação por Vilar de Figos para Paradela. Actualmente existem optimas vias de comunicação com as freguesias vizinhas e por conseguinte com as cidades mais proximas que são Barcelos, Póvoa de Varzim e Famalicão.
Esta população está distribuida pelos seguintes lugares habitados : Vilar, Casal de Baixo, Casal de Cima, Boa Vista, Campos, Igreja, Três Campos, Aldeia, Eira Grande, Bouça Redonda, Merouços, Bajouco, Boucinha, Areosa, Seixosa, Amins e Ferrado.
As suas casas mais importantes são a da Eira Grande a de Amins e a dos Figueiredos.
No monte desta freguesia há finíssimos granitos muitos procurados para as boas edificações. Fizeram-se por vezes aqui pesquisas de grafite que dizem aparecer em abundância.
Ao norte desta freguesia mas ainda dentro dos seus limites, existe uma pequena elevação de terreno chamado o Monte Castro. Dizem que nele, apesar de não se ter feito escavações aparecem telhas e tijolos, indicio de antigas construções romanas.
Nos morros de vários montes desta parte do concelho é frequente encontrarem-se vestígios da fixação de povos romanos e ainda pre-romanos.
Dos homens mais ilustres, cujos nomes andam ligados a esta freguesia, apenas nos lembramos dos seguintes:
Tem as seguintes fontes públicas: a de Areosa e a de Badalhão.
O padroeiro desta freguesia é São Martinho e é celebrado a 11 de Novembro.
Pedra Furada, orago Santa Leocádia, foi em tempos passados uma das freguesias do convento do Mosteiro Benedito da Várzea passando, depois da sua extensão, para o convento João Evangelista de Vilar de Frades em 1441, por ordem do Arcebispo de Braga.
A freguesia embora pequena, possui património digno de registo, como a igreja Matriz, as alminhas, a capela da Senhora das Brotas, a capela da Senhora de Monserrate, fontanários, cruzeiros, a quinta de Santa Leocádia e a casa do Sardoal.
Por aqui também passam os caminhos de Santiago, o que têm início no cabo de S.Vicente, o caminho norte-sul que têm início em Lurdes passando por Santiago em direcção a Fátima e a Grande Rota que têm início em S.Petersburgo e termina no Cabo de S. Vicente.
Corre a tradição que a pedra furada foi tampa de uma supultura de uma Santa que fora enterrada viva e que na sua resistência á morte e pela força das suas muitas virtudes levantando a cabeça, furou a pedra.